segunda-feira, 29 de agosto de 2016

Mundial 2016 e RUM 10: a hora de vocês participarem

Olá amigos,

O motivo desse post hoje é um pouco diferente do normal. Hoje eu venho a vocês pedir um favor e uma ajuda. Como vocês sabem, a economia do Brasil está bem ruim e o valor do dólar está na casa dos R$3,20
Até aí, pra quem gasta aqui dentro do Brasil, tirando alguns produtos importados, não mudou muita coisa. Mas eu sou um powerlifter que precisa competir em terras americanas para que meus recordes mundiais sejam validados. Essa crise econômica fez com que os gastos de passagem, inscrições e hospedagem subissem MUITO.
Eu me preparei financeiramente esse ano para viajar mas, só para ter ideia, a passagem pra Las Vegas está oscilando em torno de R$700,00 a mais que ano passado (1,5 mil em 2015 e 2,2 mil esse ano) .
Além de passagens, exitem os gastos com hotel e alimentação (e alimentação não sai NADA barato em hotel com necessidades nutricionais específicas para bater o peso). O RUM 10 ainda é um indefinição pois a organização do campeonato está sendo reestruturada e, inclusive, me ofereci pra ajudar virtualmente (sim... a gente cobra escanteio e corre pra cabecear nesse esporte).
Não conto com nenhum patrocínio e todo esse dinheiro vem do fruto do meu trabalho em cursos, aulas em universidade, personais e palestras. Em fase final de preparação isso tudo se torna mais difícil de fazer pois a preparação competitiva toma um grande tempo e, principalmente, necessita de uma boa recuperação.
Portanto, gostaria de pedir a ajuda de vocês com QUALQUER QUANTIA para me ajudar nessa empreitada. Eu coloquei, durante todo ano em minhas páginas, conteúdo de qualidade e sempre estive aberto em redes sociais para diálogo e troca de informações. Creio que isso me credencia a poder pedir uma ajuda a vocês agora. Ajuda para um atleta que não conta com qualquer apoio governamental e que, hoje, possui uma das maiores marcas já feitas por um brasileiro no powerlifting (e podem me cobrar que eu farei marcas maiores ainda agora. Estou preparando uma bela surpresa).
Por isso, vou deixar meus dados bancários. Lembrem-se: QUALQUER QUANTIA (mesmo, pode ser R$ 2,00 ou R$ 5,00) já fará enorme diferença. Se você for uma empresa e quiser também me apoiar nessa empreitada com uma quantia em troca da exposição de sua marca, entre em contato por inbox e poderemos conversar. Dados bancários

Banco Bradesco
Agencia: 3494
Conta POUPANÇA:1.000.000-9 (UM MILHÃO)
Favorecido: Hugo Rodrigo Garcia Quinteiro
CPF: 312.267.908-60 Outra coisa legal que amigos meus de são paulo podem fazer e me ajudar a longo prazo: Usem meu CPF na nota fiscal paulista. Pode parecer pouco mas, acumulando vários amigos, pode ser uma ajuda substancial para 2017

Se preferirem transferi por PayPal, transfiram para: quinteiro@outlook.com

Lembrem-se: vocês podem fazer a diferença e mudar a atual situação dos atletas no Brasil. Agora é com vocês.

Continue lendo...

segunda-feira, 18 de julho de 2016

Dez lições sobre Levantamento de Peso Olímpico

Por Riccardo Rambo (Ricardo de Barros)




1. A barra exige força explosiva, velocidade, habilidade reativa, coordenação e vontade.
Não é simplesmente uma questão de “jogar” a barra para cima. É impossível “jogar” a barra. Você puxa o mais alto que pode e entra embaixo o mais rápido que pode.
2. Técnica e eficiência biomecânica são condições fundamentais.
“No weightlifting, a técnica é o meio pelo qual a força é expressa” (Chernyak, A.V., The Optimal Ratio of the Triathlon Exercises Tyazhelaya Atletika, Sbornik Statei. Fizkultura I Sport, Publishers, Moscow, 1971).


3. Estudos soviéticos dos anos 60 encontraram uma relação adversa entre exercícios de força máxima (o “Press”) e exercícios de força explosiva (Snatch).
Alexeyev levantava no máximo 270 kg no agachamento, enquanto que seus adversários levantavam em torno de 320 kg. Mas no Jerk, ele chegava a 256 kg. Seus adversários mal chegavam a 220 kg.


4. Não é possível “pensar” no movimento.
"Uma importante peculiaridade nos exercícios de weightlifting é a brevidade da performance, o que faz ser muito difícil e quase relativamente impossível implementar correções conscientes durante o levantamento da barra” (Vorobeyev, A.N., Tyazhelaya Atletika, Fizkultura I Sport, Publishers, Moscow 1972).


5. Em relação ao item anterior:
Não tente ensinar ou corrigir demais, principalmente durante o levantamento. O bom treinador é o calado!
E o período de ensino dos levantamentos, com uma progressão pedagógica correta, é essencial. Não pule etapas do processo de ensino!


6. Para levantar a barra com a máxima velocidade possível, os músculos devem estar relaxados. Eles devem entrar em ação somente no momento necessário.
Essa habilidade está diretamente relacionada com a maestria técnica, evitando uma desnecessária co-ativação dos antagonistas.

O excesso de tensão psicológica e o excesso de treinamento de força máxima e hipertrofia também são fatores que impedem o relaxamento dos músculos (Verkhoshansky, Y.V., Fundamentals of the Special Physical Preparation of Athletes, Fizkultura I Sport, Publishers, Moscow, 1988; Falameyev, A. I., Salnikov, V. A., Kimeishei, B.V., Some Observations about Weightlifting Technique, The P. F. Institute of Physical Culture, Lenningrad, 1980; Sokolov, L.N., The Significance of Speed in Weightlifting and Methods to Develop It, Tyazhelaya Atletika, Sbornik Statei. Fizkultura I Sport, Publishers, Moscow 1971).

7. Comece a levantar rápido para se mover rápido (Frolov, V.I., Efimov, N.M., Vanagas, M.P., "The Training Weights in the Snatch Pull," Tyazhelaya Atletika, Fizkultura I Sport Publishers, Moscow, 1977; Zhekov, I.P., Biomechanics of the Weighltifting Exercises, English Translation, Sportivny Press, Livonia, 1992)!
“Não importa o quanto constante se aumenta a força, weightlifters não podem realiza-la completamente por causa do tempo limitado determinado pela amplitude da tarefa na qual as relações de trabalho da cadeia cinemática tem para executar nos exercícios de competição” (Verkhoshansky, Y.V., Fundamentals of Special Strength Training in Sport, English Translation, Sportivny Press, Livonia, Michigan 1986).


8. A entrada embaixo da barra é uma habilidade reativa, não um esforço consciente.
"Existe um perfeccionismo inconsciente da habilidade de mover os joelhos abaixo da barra no processo de treino. O mestre do esporte completa essa fase em 0.11 segundos; o atleta das classes III a I em 0.16 segundos." (Falameyev, A. I., Salnikov, V. A., Kimeishei, B.V., "Some Observations about Weightlifting Technique," The P. F. Institute of Physical Culture, Lenningrad, 1980).


9. Em relação aos itens 8 e 9:
Técnica = Velocidade!


10. No jerk, o meio-agachamento deve ser feito de forma reativa, com o menor tempo possível para “freiar” a barra na fase cedente e começar a fase de superação.


Continue lendo...

quinta-feira, 9 de junho de 2016

Agachamento: ou existe diferença ou você está fazendo isso ERRADO




     Começo a escrever esse texto por uma premissa  do nível 1 de cursos de educação continuada em força MAD Powerlifting

     "Exitem várias maneiras certas e várias maneiras erradas de se agachar"

  Olhando a primeira vista, parece um tanto confuso porque, afinal, como diferenciar um agachamento correto de um errado? Nisso entramos em algumas questões como fluidez do movimento, proporções corporais, percepção subjetiva do praticante, tentativa e erro, etc.

     Fato é que corpos não são iguais. Pessoas possuem medidas antropométricas completamente diferentes e isso é mais que óbvio: uma mulher de um metro e meio tem mesmo tamanho de fêmur que um homem de dois metros de altura? Claro que não, né?  Nesse texto (baseado num texto em inglês escrito por Ryan Debell) vamos focar na articulação do quadril

Anatomia Simplificada


     A articulação do quadril é, de maneira simplista, um "soquete" (o acetábulo) no quadril e uma "esfera" no final do fêmur. Segurando essa estrutura toda, existem músculos e ligamentos estabilizando e possibilitando movimentos nos três planos de movimento.
    TODO agachamento (com barra atrás, na frente, posição alta, posição baixa, sem barra, em dia par, ímpar, feito por homens, por mulheres, crianças, idosos) deve obedecer a leis fundamentais da física para que se consiga manter o equilíbrio. A imagem ao lado demonstra isso:

     A linha de gravidade deve se manter no MESMO ponto. Se mudar, a pessoa cai pra frente ou pra trás. Todo o resto do corpo se adapta para que essa linha não seja perdida.

Imagem 1

Variações Anatômicas

     Uma parcela grande dos alunos iniciantes possuem dificuldade em agachar. Nós acreditamos que o processo de alienação corporal das sociedades modernas pelas introdução do uso de cadeiras é o principal responsável pela perda desse padrão inato de movimento. Todo bebê agacha completo, profundo e tecnicamente correto. Duvida? Vá num playground de crianças. Provavelmente você vai encontrar isso lá (Imagem 2): 

Imagem 2
      Não é um agachamento tecnicamente perfeito? Precisou de meses com um personal três vezes por semana ensinando como agachar? Não, né? Porque isso é um movimento INATO do ser humano. Bebês sabem agachar... lidem com essa informação. Outra informação pra lidar é: se ele sabia e virou um adulto que não sabe, ele PERDEU isso ao longo da vida, logo, isso é uma ALIENAÇÃO CORPORAL. essa alienação é causada pelo uso de cadeiras nas sociedades ocidentais. Cadeiras fazem as pessoas perderem o movimento completo de flexo-extensão total do quadril. Isso gera perda de força, coordenação e atrofia da musculatura que envolve o "soquete" e a "esfera" da articulação do quadril.
    
  Mas você deve estar se perguntando aí: como ele sabe que é a cadeira e isso é um processo de civilizações ocidentais? Já viu cadeira em tribo isolada no documentário da TV ou como vivem as sociedades orientais? Já viram como os anciões sentam? Não? Então da uma olhadinha (Imagem 3):


Imagem 3
     Esse é um daquele momentos que eu gostaria de estar vendo a cara de vocês do outro lado da tela. É ou não é O MESMO padrão do bebê acima? Não usou cadeira, manteve o padrão inato a vida toda.. simples assim.


     Olhando as imagens acima também deu para, intuitivamente, perceber que as proporções corporais, e articulares são completamente diferentes e isso vai influenciar na maneira que o corpo precisa se posicionar no espaço para que o movimento/posição se mantenha tecnicamente adequado. Mas que tal a gente olhar isso "por dentro"?


      Olhem esses dois fêmures (imagem 4):
     Não parece impossivel pra vocês que tamanha diferença espacial no posicionamento da "esfera" cause um agachamento igual? Não é até uma certa ingenuidade achar que deva existir só uma maneira de agachar olhando apenas para essa imagem?

Imagem 4

     Tá.. você pode dizer que uma imagem só é pouco. E essa outra (Imagem 5)? Tamanhos de "esferas" diferentes e posição de encaixe diferentes. Isso EXIGE que uma articulação trabalhe de maneira diferente da outra. Pense no trabalho muscular de estabilização de uma "esfera" e da outra. Definitivamente diferente. Não da pra não concordar com isso, né?

Imagem 5

     Só posição e tamanho? Claro que não. Diferenças de ângulo de encaixe também são gritantes. Existem pessoas que realmente possuem limitações mecânicas que impedem de agachar com maior profundidade? Sim, né? Ficar achando que só trabalho de flexibilidade que vai melhorar isso é uma certa ingenuidade. As vezes, a limitação é mecânica... e você não tem olho de ressonância magnética pra poder enxergar isso.. ou tem? Se tiver, você é um bilionário com seu talento único e não precisa ler isso (imagem 6).

Imagem 6

     As coisas ficam ainda mais interessantes quando começamos a falar do "soquete". Olhe o ângulo do"soquete" da esquerda (Imagem 7): não é favorável a um agachamento mais fechado? 
Se olhar o "soquete" da direita e tentar imaginar a pessoa agachando mais fechado, provavelmente sua imaginação vai chegar no ponto que a pessoa vai, sem dúvidas, cair pra trás por não conseguir manter a linha de gravidade dentro do padrão adequado (Imagem 1)

Imagem 7

A Imagem 8 mostra, por outro ângulo, como os "soquetes" são diferentes. Creio que, nesse ponto, vocês já estão convencidos que, NÃO TEM COMO essas duas pessoas agacharem da mesma forma, certo? A anatomia desses ossos não deixam isso acontecer.

Imagem 8

     Olhando o "soquete" de uma visão lateral na Imagem 9, da pra perceber como um é mais lateralizado que outro e, não só isso, como um é muito mais "raso" que o outro permitindo, com isso, maior amplitude de rotação. Não é uma questão de flexibilidade o dono do quadril da esquerda ter menor amplitude de rotação que o da direita. É um impedimento mecânico. Agachamento unilateral é mais fácil pra um do que pro outro olhando essa imagem? Com certeza!


Imagem 9

Concluindo

     Qualquer ser humano que deseja agachar não pode fazer isso de maneira padronizada. Por isso, a frase inicial de "exitem várias maneiras certas e várias maneiras erradas de se agachar" é usada pela nossa equipe. Encontrar o padrão de movimento correto que dê conforto para o seu aluno e saber identificar o que é um encurtamento muscular e o que é uma limitação óssea é o primeiro dos segredos que difere um simples treinador de alguém que está alcançando o estado-da-arte do treinamento de força. Estado esse que só se alcança com MUITAS "horas de vôo". E não bastam ser só horas de vôo ensinando e vendo pessoas agachar. São muitas horas de vôo também PRATICANDO agachamento. Movimentos básicos, né? Lembrem-se que a palavra BÁSICA é completamente diferente de SIMPLES.


REFERÊNCIAS:

Coutinho, M., De volta ao básico: powerlifting - treinamento funcional, esporte de alto rendimento e prática corporal para 
todos.2011, São Paulo: Editora Phorte. (não tem? Larga mão de ser mané e compre clicando aqui)

De Bell, R., The Real Reason Why People MUST Squat Differently (disponível aqui)

Continue lendo...

sexta-feira, 27 de maio de 2016

A Nona Sinfonia da Força

por Hugo Quinteiro





Esses dias, comentando um post do Riccardo Rambo, fiz uma analogia que, conforme ele mesmo disso foi “Puta viagem. Mas é isso mesmo.”

O comentário era como eu enxergava o treinamento:

“pensar em força nesse nível pra preparação desportiva me faz olhar uma figura aparentemente simples e imaginar uma enorme periodização olímpica... de 4 anos... onde elementos vão se encaixando quase como notas musicais numa sinfonia. Como diria Beethoven: escutando o silêncio (supercompensação) entre as notas (estímulos)”


Fiquei com isso na cabeça… e, amigo, quando eu fico com algo assim na cabeça, só fico livre depois que isso vira um texto de verdade. Então aí vai:

Minha música preferida de todos os tempos e toda a minha existência foi e será a nona sinfonia de Beethoven. Já ouvi duas vezes ao vivo e choro igual criança (sério.. levo lenço e chego a soluçar). Gosto dela por uma série de motivos:

- Foi escrita por um SURDO. Sim.. ele não ouvia mais porra nenhuma quando escreveu o que, na minha opinião, é a melhor composição da história da humanidade.

- Foi escrita por um LOUCO. Ou você acha muito normal alguém só conseguir acalmar um cérebro colocando notas musicais num papel mesmo não conseguindo ouvir nada? O som vinha de dentro da cabeça!
- Foi revolucionária: foi considerada, depois, a última música do estilo romantico. Beethoven mesmo colocou fim no estilo romântico e compôs “a fuga” na sequencia. Que artista você conhece que coloca fim a um próprio estilo que ele fez parte? Foda, né?

- Colocou UM CORAL INTEIRO numa sinfonia. E deixou os caras lá uma hora antes de começarem a cantar. Ninguém mais acreditava na sua sanidade mental e quase que a coisa não acontece… mas ele estava certo e o coral entra no momento perfeito.

- Virou, centenas de ano depois, o hino da união europeia por pregar a felicidade e união entre os povos. Representa o melhor do espirito humano em harmonia.

Tá.. tudo muito bonitinho e legal mas.. o que isso tem a ver com treinamento? TUDO, gente… vou destrinchar a música e mostrar como ela funciona como uma periodização de força bem sucedida. Vem comigo:


Quando a música inicia em seu primeiro movimento, Allegro ma non troppo, un poco maestoso, não da pra não imaginar uma sequência diferente que não leve a um final grandioso. As notas iniciais, suaves, como estímulos com maior volume e menor intensidade no início de um ciclo de preparação geral. A harmonia dos das notas em movimentos suaves e bem amarrados como variações de agachamento, com muito volume buscando a precisão técnica e o movimento perfeito e harmonioso no espaço.

No segundo movimento, Scherzo: Molto vivace - Presto, uma surpresa: a inversão do tradicional, um aumento súbito no ritmo da música ao contrário do que os outros compositores fazem normalmente. Isso é a quebra do paradigma. É o treinador que tem uns bancos e umas caixas e precisa treinar sua equipe num inverno russo. É Verkhoshansky criando a partir do nada.. revolucionando com a inversão de ordem. É o novo onde antes só existia o tradicional. Paradigma quebrado, exemplo pra todos que vêem depois.

O terceiro movimento, Adagio molto e cantabile - Andante Moderato, calma.. repetições e fluidez representando o básico bem feito e uma harmonia exploratória dos instrumentos. Em treinamento isso significa a volta ao básico, sem invenções. O simples e bem feito que atende exatamente aquilo que o atleta precisa e o prepara para o desafio competitivo que se inicia.

O quarto movimento, Recitativo, O Freunde, tudo tocado até agora serve para trazer até esse momento. A abertura da melodia famosíssima que precede o coral indicando a grandiosidade de tudo que se aproxima. A glória, o levantar do coral que, até aquele momento, estava assistindo toda orquestra tocando. O Hino a Alegria - que já existia como poema, mas era impensável em se utilizar como música em uma sinfonia. A emocionante expressão de uma vida através de sons! O mundo visto através das notas e do silêncio entre elas e a perfeição musical mostrada pelo compositor como um guia mostrando como ele expressa a beleza da vida através da musicalidade. Impossível não associar aos momentos que antecedem a competição. Os treinos se tronando grandiosos, a vida sendo preenchida por aquilo que expressa o atleta como ser humano: o ato de competir. A competição sela o propósito da existência de um atleta. A glória de vencer justifica qualquer dor. TUDO valeu a pena e, se a existência dele terminasse no segundo após vencer, tudo… absolutamente TUDO teria valido a pena… no regrets!

O segundo de silêncio que se dá assim que se toca a última nota e que antecede os aplausos é o segundo mais longo que alguém pode viver: seja na paz de espírito por escrever uma obra que, como ele mesmo sabia, mudaria a história da musica pra sempre é a mesma sensação do segundo seguinte a barra tocar o chão ao final do último terra e perceber que você viveu TODA sua vida pra que aquele segundo existisse e desse sentido a toda sua existência.

Como disse o Rambo no começo: “puta viagem”... mas espero que seja isso mesmo.

Continue lendo...

quinta-feira, 26 de maio de 2016

A CRISE DA CONCEPÇÃO DO TREINAMENTO DE FORÇA NO ESPORTE DE ALTO NÍVEL




A concepção do treinamento de força no esporte de alto nível, hoje, está baseada em 4 pontos: treinamento funcional generalizado, treinamento de força máxima e explosiva ineficientes, modelos genéricos e inadequados de “periodização” e, uma “excessiva” e “perdida”  simplificação do conceito de especificidade. Ao longo do tempo, o que pode dar até certo resultado nos primeiros ciclos de treinamento, alcançara uma barreira de performance.

Nos primeiros anos desta nova tendência no Brasil, os resultados certamente foram positivos por causa da mudança de metodologia de treinamento: do tradicional (estilo “bodybuilding”) para o “funcional”. Os atletas começaram a treinar não de forma mais “específica”, mas, principalmente, de forma menos segmentada. E também incluíram em seus treinos exercícios e metodologias (“novas”, “esquecidas”) como o levantamento de peso olímpico.

O problema é que toda esta novidade está longe de ser “especial” e carece de toda uma metodologia (forte e coesa) baseada na atual metodologia científica do treinamento desportivo. Cada treinador faz o que “acha” ser o certo. E os resultados em algumas modalidades esportivas (que começaram a utilizar esta nova concepção há algum tempo) já começam a perder a eficiência dos primeiros ciclos, como por exemplo, no MMA.

A concepção do Treinamento Força Especial baseia-se nas pesquisas realizadas sobre os atletas soviéticos de elite de diferentes modalidades esportivas.

Nessas pesquisas, feitas durante 20 anos, estiveram envolvidos treinadores da equipe nacional, estudantes de pós-graduação e colaboradores científicos (64 pessoas do laboratório "Otimização do processo de treinamento no esporte de alto nível” de Yuri Verkhoshansky).

Na base dessas pesquisas, foram feitas mais de 20 dissertações, liderados por Verkhoshansky, que permitiram obter 23 doutorados e dois títulos pós-doutorado (apenas na União Soviética, início dos anos 90 e, com participação pessoal de Verkhoshansky).

Atualmente na Rússia, o treinamento de força especial é utilizado pelos melhores atletas no período competitivo.

Esta é a metodologia de treinamento mais discutida e verificada no mundo, mas que infelizmente não é bem conhecido no ocidente.
A maioria dos resultados dessas pesquisas foi sintetizada nos livros de Verkhoshansky: "As bases do treinamento de força especial no esporte", "Programação e organização da formação" e "Preparação física especial no Esporte".

Treinamento de Força Especial

Primeiramente, é necessário, de uma vez por todas, entender o conceito de treinamento de força especial (TFE). Esta metodologia foi criada na União Soviética por Yuri Verkhoshansky (que genialmente soube “usar” tudo o que já tinha de bom e inovar) e revolucionou definitivamente a preparação física nos esportes de alto nível.

“Treinamento de Força Especial é o uso sistemático de um complexo de exercícios de força especializados, direcionados para o aumento da potência do exercício competitivo em uma determinada disciplina esportiva” (Rambo, 2013 – traduzido e adaptado de Verkhoshansky, 2011).

Para entender bem este conceito, é importante levar em consideração:
1. “especial” porque específico é apenas o gesto desportivo específico, em condições específicas (competição), ou seja, o exercício de competição;
2. “uso sistemático de um complexo” requer o entendimento não apenas de periodização, mas programação de treinamento e biologia do esporte (interação bioquímica dos efeitos do exercício e o organismo do atleta);
3. “exercício de força especializado” compreende as noções biodinâmicas do gesto desportivo;
4. “aumento da potência do exercício” é uma consequência do aumento do potencial motor.


Na prática, para utilizar o TFE, é necessário saber (Rambo, 1997):
1. Quais as capacidades de força que necessitam ser desenvolvidas;
2. Que meios (exercícios) utilizar;
3. Que metodologia utilizar;
4. Como controlar o treino;
5. Como organizar o treino.


O objetivo final dos exercícios de competição está quase sempre relacionado a capacidade de expressar a potência produzida pela velocidade de movimentos e pela força de superação da resistência externa. Consequentemente o processo de treinamento, com o foco de melhorar o resultado esportivo, representa o processo de aumentar a potência do exercício de competição.

Melhorando a Estrutura Biodinâmica do Exercício de Competição


Para aumentar este potencial motor, é necessário melhorar a estrutura biodinâmica do exercício de competição (“assinatura” do movimento feita pelo atleta) através de 3 passos:
1. Identificar o elemento-chave do exercício
2. Aumentar o efeito de trabalho.
3. Melhorar a eficiência da interação entre movimento(s)-chave e, entre movimento(s)-chave e movimento secundários.


Para Identificar o elemento-chave do exercício é necessário analisar a estrutura biodinâmica do exercício. Os movimentos-chave mais comuns podem ser identificados em 3 grupos de movimentos:
1.  Deslocamentos do centro de massa corporal de uma determinada posição corporal para uma determinada posição (exemplo: esforço de força de propulsão no chão na fase aérea da corrida e, esforço de força de propulsão na água na braçada na natação).
2. Deslocamentos do membro corporal “ativo” (exemplo: nas fases de contato entre o membro e a bola, no final do movimento no chute do futebol).
3. Deslocamento sincronizado do centro de massa corporal e o membro corporal “ativo” no final do movimento (lançamento) e nos movimentos finais dos elementos técnico-táticos principais da atividade competitiva nos esportes coletivos e esportes de combate.

Aumentando o Efeito de Trabalho dos Movimentos-Chave do Exercício de Competição

Para aumentar o efeito de trabalho dos movimentos-chave do exercício de competição, o exercício local, com estrutura motora única deve ser usado. Os exercícios localizados devem ser escolhidos com base na semelhança dos campos de força nos movimentos-chave (com base no Princípio da Correspondência dinâmica).

Para melhorar as interações, os exercícios globais, com estrutura motora complexa, devem ser usados. Os exercícios globais devem reproduzir o exercício de competição como um todo ou os elementos principais técnico-táticos sob condições mais difíceis.

No entanto, as diferentes condições sob as quais o sistema neuro-muscular funciona durante a execução de diferentes exercícios de competição exigem diferentes mecanismos para assegurar estas mudanças. Esses mecanismos estão relacionados com a ativação de diferentes características funcionais do sistema neuro-muscular (recrutamento da unidade motora, frequência de ativação da unidade motora, sincronização da unidade motota), que são normalmente associados com a capacidade de força.

As formas básicas de expressão dessas características funcionais foram identificadas como capacidades básicas de força:

1. Força máxima;
2. Força explosiva;
3. Força de saída;
4. Força de aceleração.


E, em relação ao regime de contração, as capacidades de força são:

1. Força rápida (velocidade alta);
2. Habilidade reativa (do sistema neuro-muscular);
3. Força de endurance
- Força de endurance estática;
- Força de endurance dinâmica (potência anaeróbica máxima e endurance muscular local).


Cada uma destas características funcionais pode ser efetivamente melhorada utilizando um determinado exercício de treinamento de força especial no regime apropriado e de acordo com o método apropriado. Como regra geral, para se obter um aumento de determinada característica funcional, o exercício de treinamento de força especial deve enfatizar a sua expressão máxima.
Considerando que diferentes meios de treinamento utilizados em conjunto no processo de treinamento provocam uma adaptação morfo-funcional integrada (efeito de treinamento acumulado), uma determinada combinação de diferentes meios pode ser usada para melhorar o efeito de trabalho de um determinado movimento-chave. Assim, deve-se pensar não apenas no exercício, mas integrar diferentes meios de treinamento em um sistema de meios de treinamento.

Força Explosiva


O primeiro ponto importante para aplicação eficiente de um sistema de meios de treinamento para o desenvolvimento da força explosiva é o entendimento do que realmente ela é e sua importância para o resultado esportivo. Força explosiva é caracterizada pela capacidade do atleta atingir o máximo de força no menor tempo. Se o meio ou método de treinamento não permite essa execução rápida, como por exemplo, um aumento da fase de transição entre a fase cedente e a fase de superação do exercício por causa do peso excessivo, a força explosiva não será desenvolvida.

O elemento mais importante da aplicação do método de treinamento da força explosiva é o intervalo entre as séries e o intervalo entre os grupos de séries. O intervalo constitui uma regra do treinamento de força especial para conseguir o efeito de treinamento necessário.

A segunda característica metodológica de um treinamento de força explosiva eficiente é que a contração muscular seja a mais rápida possível, o que só pode ser conseguida através do total relaxamento dos músculos, como breves sacudidas no corpo entre as repetições de uma mesma série.

A terceira característica metodológica importante é o tempo de execução do exercício de força explosiva em uma série. Para o desenvolvimento da força explosiva de grande oposição externa, a série não pode ser maior do que 10/15 segundos. Para o desenvolvimento da força explosiva de baixa-média oposição externa (como em esportes cíclicos de endurance), a série deve ser aumentada progressivamente de 10/15 segundos a no máximo 30 segundos.
A quarta característica metodológica é quantidade de séries para manter a força explosiva durante a realização do exercício. O número ótimo são duas séries em um grupo de séries.


Para cada capacidade de força existem meios e métodos específicos e eficazes, com características e aplicações especiais na execução do exercício e na forma que este exercício será realizado. Assim, métodos eficazes para o desenvolvimento de outras capacidades, como por exemplo o método de circuito, não são recomendados para o desenvolvimento da força explosiva. O método de circuito estimula o sistema muscular e o sistema cardio-vascular, ajuda a aumentar a capacidade dos sistemas energéticos, aperfeiçoa as capacidades funcionais de vários grupos musculares e ativa a reorganização morfológica do corpo. Assim, o método de circuito representa um ótimo método de preparo do sistema muscular para o trabalho no regime específico nos jogos esportivos e esportes de combate.

Continue lendo...